Baixa autoestima: cirurgia plástica é a melhor solução?

Há um ditado popular antigo, que muitas pessoas conhecem, e que provavelmente sua avó pode ter falado alguma vez: “Beleza não põe mesa.” Isso é verdade, há outras qualidades que valem muito mais do que ter um rosto ou corpo bonito, mas infelizmente não é bem isso que é mostrado na mídia.

Nas campanhas publicitárias, o que vemos é que as pessoas que tem um corpo mais bonito conseguem tudo, ou praticamente tudo, o que querem. Tem sucesso no trabalho, no amor e ainda tem autoestima elevada. Ou seja, tenha um corpo bonito e você viverá os melhores dias de sua vida. Será que é tudo é tão simples assim como é mostrado?
Além disso, a mídia cria uma ilusão de corpo perfeito. Quem dita o que é perfeito? O que é perfeito? Perfeição existe, por acaso? Assim como as pessoas são únicas, seus corpos também são. Então, por que querer ter a perna da fulana de tal, a barriga da cicrana e o bumbum da beltrana? A sua identidade própria deve ser mais importante do que ter um corpo parecido com o de alguma famosa, não acha? Além de que cada pessoa tem seus limites pessoais e é preciso ter cuidado com isso. Entretanto, algumas pessoas não ligam pra isso e fazem tudo para atingirem o tal “corpo ideal” ou rosto “de capa de revista”, sem se importar com a sua saúde nem muito menos com as consequências, muitas vezes irreversíveis, disso na sua vida.

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Até mesmo as doenças que eram consideradas “doenças femininas”, como bulimia e anorexia, tem atingido também muitos homens, que estão cada vez mais preocupados com a sua imagem também.
Assim como a imagem de corpo perfeito, na mídia, é sinônimo de magreza para as mulheres; para os homens, quanto mais músculos, mais bonito é o corpo e mais perfeita é a sua vida. O dinheiro, as mulheres, o carro, o trabalho, tudo aparece de forma rápida e fácil para os homens musculosos. Parece até piada contando assim, mas é a mais pura verdade, apenas tente passar um tempo assistindo algumas propagandas na televisão ou folheie uma revista e verá o quanto o culto ao corpo tem aumentado nos últimos tempos. Muitos homens, pensando em ser aceitos e terem mais sucesso em suas vidas, acabam buscando formas mais rápidas e perigosas de ter um corpo musculoso. O anabolizante, usado por muitos, além de causar várias doenças muito nocivas para o organismo, pode levar a morte.

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Essa preocupação excessiva com a imagem pessoal tem gerado distúrbios alimentares, sociais e, inclusive, psicológicos. Ao ver campanhas publicitárias em que pessoas com o tal do corpo perfeito tem uma vida perfeita, muitas pessoas se desesperam para atingir tal ideal e se privam de várias coisas, colocando em risco a sua saúde física, mental e emocional. A busca por um corpo perfeito faz com que as pessoas escravizem seu próprio corpo, colocando a beleza em primeiro lugar e a sua própria autoestima em último.
O mais engraçado é que a própria mídia que faz com que as pessoas tenham o corpo como um objeto de consumo e que faz com que estas tentem atingir a meta de “corpo ideal”, essa é a mesma mídia que mostra o quão bom pode ser comer em um fast food sem se importar com as calorias que carrega, ou com o mal que esse tipo de alimento pode fazer, se ingerido com excesso, para o organismo das pessoas.
A confusão que a mídia causa na cabeça das pessoas faz com que seja criada a ilusão de que é possível comer o que quiser e alcançar o corpo ditado como perfeito. É como se para ser aceito de verdade na sociedade, você tivesse que ser tanto o que come fast food quanto o que se preocupa com a beleza e cuida do corpo. O que a gente percebe também é que esse negócio de “corpo belo”, mostrado na mídia, nunca é relacionado com a saúde, mas apenas com a beleza em si.
Essa preocupação excessiva com a beleza e o pouco cuidado com a saúde, tem levado muitas pessoas a fazerem cirurgia plástica. É como se o cuidado com a saúde não tivesse importância nenhuma, porque já existe a cirurgia. Ou seja, coma o que e quanto quiser e não se preocupe em fazer atividade física, depois você pode ir pra uma maca de cirurgia e ficar com o corpo daquela celebridade da televisão. Você acha isso uma loucura de outro mundo? Pois é, mas muitas pessoas acabam caindo nisso. Com o sentimento de necessidade de aperfeiçoar o corpo da maneira mais rápida, as pessoas preferem pagar por uma cirurgia plástica em vez de passar meses praticando alguma atividade física. De acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (ISAPS), o Brasil é o país que predomina no ranking das cirurgias plásticas para embelezar o corpo e, a cirurgia plástica estética mais feita no país é a lipoaspiração.

barriga cirurgia
Muitas das pessoas que optam por fazer cirurgia plástica, o fazem porque dizem que é para elevar a sua autoestima. É como se mudar uma parte do corpo fosse apagar algumas marcas ruins do passado ou fazer com que a pessoa passe a se sentir realmente bem consigo mesma. Entretanto, para estar bem consigo mesmo tem que haver um equilíbrio em vários setores da vida. Não é colocar a beleza e a vaidade em primeiro lugar que vai fazer com que sua autoestima fique bem de verdade. Há uma série de outros fatores que podem ajudar nisso, cuidar da saúde de forma equilibrada, sem exageros, é uma delas.

Para encerrar essa discussão, reflita se você pode ser definido apenas pelas partes do seu corpo. Se você vale mais, ou menos, pela medida da sua perna, pelo tamanho da sua orelha ou pelo modo como a sua barriga fica em uma roupa mais apertada. Se você acha que isso é o que mais importa, reveja seus conceitos, não deixe que a mídia dite como deve ser o seu corpo. O seu corpo faz parte da sua identidade e lembre-se que você é único, não precisa buscar parecer com outra pessoa para ser feliz. Já dizia a banda Copacabana Club: “mude porque você quer, mude porque você gosta, não porque você viu.”. Se você quiser ter um corpo mais saudável, ok, você pode mudar para fazer bem a si mesmo e não aos outros, tomando atitudes que condizem com o bem estar e não apenas com o culto à beleza tão mostrado (e imposto) na mídia. Lembre-se também de que ter uma vida saudável não é tomar atitudes extremas, é ter mais equilíbrio nas suas escolhas do dia a dia.

É isso, cuide da sua saúde de maneira leve e cuidadosa, de forma que você consiga mudar alguns pequenos hábitos da sua rotina e então sua autoestima realmente aumentará.

Cintura de Barbie e outros distúrbios.

Desde muito cedo, as meninas são cercadas de coisas que distorcem a verdadeira imagem da mulher real. Tanto por causa da mídia, quanto pelos próprios brinquedos que desejam ter, por causa da influência das colegas e, também, da publicidade que é passada entre a programação dos desenhos animados. Há uma frase que diz que brincar não faz mal a ninguém, porém nem todos os brinquedos fazem bem e alguns deveriam mudar um pouco, mas continuam sendo vendidos e sem nenhuma perspectiva de mudança. Dentre estes brinquedos, a Barbie é tida como um “padrão de beleza” a partir da infância, que é a fase de formação da personalidade das pessoas.

16143783A boneca Barbie foi criada em 1950, mas até hoje continua com o seu cabelo loiro, sedoso e platinado, medidas que passam longe de ser parecidas com a do corpo de uma mulher normal e usando roupas que sempre caem perfeitamente no seu corpo. Pelas medidas do corpo da boneca, ela teria anorexia se fosse uma mulher real. E, segundo pesquisas que já foram feitas sobre isso, se ela fosse uma mulher de verdade nem poderia estar viva, pois só teria espaço para um rim, uma parte pequena do intestino e não conseguiria manter a cabeça levantada devido ao seu pescoço longo demais. Praticamente, um projeto de ser humano.

O artista Nickolay Lamm usou medidas reais de uma garota americana entre 19 e 20 anos, e criou uma nova versão mais realista para a boneca.

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Será que as crianças não poderiam ter um brinquedo mais parecido com o real?

Apesar da versão do artista Lamm ter ficado boa e ter até mais sentido de existir, a Mattel não tem nenhum interesse em mudar a boneca. Segundo a vice-presidente de Design da marca, Kimberly Culmone, a boneca não foi criada para ter um corpo realista e sim para servir como um cabide de roupas, em que a menina pode vesti-la e despi-la rapidamente.

Muitas pessoas defendem também que os brinquedos não precisam ser realistas, porque crianças pensam diferente e podem usar mais a imaginação do que os adultos. Entretanto, é nessa fase que as crianças começam a formar suas próprias opiniões sobre as coisas que veem. Tudo que acontece na infância pode contribuir para melhorar ou piorar o futuro de uma pessoa. Por que então que as crianças não podem ter uma infância sem padrões de beleza impostos e distorcidos? Por que precisam brincar com algo que é totalmente diferente, e humanamente impossível, do que ela vai ser no futuro?

Katie Halchishick, idealizadora da Healthy Is The New Skinny, mostrou as diferenças entre a Barbie e a vida real.

Katie Halchishick, idealizadora da Healthy Is The New Skinny, mostrou as diferenças entre a Barbie e a vida real.

Nem precisamos falar do namorado da Barbie, Ken, também para dizer que há algo errado com esses tipos de brinquedos feitos para meninas. Um boneco totalmente sarado e com o cabelo sempre no lugar será mesmo o homem ideal?

Enfim, o corpo “ideal, magro e alto” da boneca Barbie e de muitas outras modelos de passarela estão longe de ser saudáveis. Sabemos que a preocupação em ser magra como estes padrões impostos pela mídia aumentam cada vez mais e faz com que muitas garotas adolescentes e jovens passem a ter anorexia e/ou bulimia. Até mesmo garotos já foram diagnosticados com essas doenças, que prejudicam a saúde e podem até levar a morte.

Se as pessoas costumam criticar as outras que não se alimentam direito, ficam realmente entristecidas em ver meninas que são absolutamente magras se acharem gordas e não acham certo que uma pessoa passe fome para ficar no padrão de beleza ditado pela mídia, por que acham que não tem nada demais que as crianças brinquem com uma boneca que praticamente demonstra tudo isso, devido suas proporções anormais de “corpo perfeito”?

Para encerrar esse post, fica mais um questionamento: Ter um corpo “belo” é mais importante do que ter saúde?

 

Fontes:

http://noticias.uol.com.br/tabloide/ultimas-noticias/tabloideanas/2013/07/03/se-a-barbie-fosse-baseada-em-uma-pessoal-real-ela-seria-assim.htm

http://oglobo.globo.com/cultura/megazine/infografico-comprova-que-corpo-da-barbie-nao-exemplo-de-saude-8138308

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/donna/noticia/2014/02/corpo-da-barbie-nunca-foi-pensado-para-ser-realista-admite-designer-da-mattel-4409375.html